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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Inverossímil

Tatiana Robles

Os lábios separaram-se, e aqueles olhos abriram-se e fitaram-me pela última vez. Eram de um azul tão intenso como o mar caribenho, em meio àquele deserto povoado por loucuras. Tão límpido que era possível ver toda a sua admirável profundeza. Numa onda tão alta e tão forte, arrebatou-me. Mas, tudo o que lá acontece, lá fica,  para depois ser dissolvido pelas suas inúmeras luzes. E, arrematando o cúmulo do inverossímil, transbordou por meu rosto uma chuva forte bastante para fazer florescer aquele solo árido e abençoar a sorte daquele improvável encontro diante da infinitude do tempo e do espaço.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

31 de dezembro

Tatiana Robles

A folha do calendário finalmente vira
De novo, na cobertura, todos reunidos
Esperanças e sonhos que se renovam
Em meio a champagne, abraços e risos
Abafados apenas pelos fogos de artifício
A estourarem no céu

Olho para o chão
E os garis continuam lá recolhendo o lixo
Tudo igual, noite qualquer
Subindo e descendo do caminhão
Tento imaginá-los como os coletores dos sonhos desfeitos
Durante aquele ano que passou
Mas não...
Para alguns, a folha do calendário nunca vira



There is no place like home/There is no place like hope

Tatiana Robles

Descortinado por um mastro de nuvens escuras
Surge o palco de misérias e amarguras
Onde são compelidos a permanecerem confinados
Os que pela ignorância humana foram exilados

Incerta vida... sobrevida
Daqueles que lutam para encontrar uma via
De sua identidade ser mantida
Mesmo vivendo à penumbra do que fora um dia

Campo seco, de tanta dor, rachado
Ainda que chova ou seja a lágrimas regado
E por cordões da intolerância limitado
E das fronteiras do egoísmo aproximado

Mas em claros raios como os da aurora
Vem a esperança o céu timidamente cruzando
E aos que continuam, em meio ao pesadelo, sonhando
Vai prenunciando o retorno à vida de outrora