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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

No Quarto

Michelle Potapovas Conte 

Aquele cubículo escuro e abafado, banhado apenas pela luz laranja do abajur de pedra em cima de mesinha, a garota mais indefinível do mundo está a escrever e refletir, sobre a vida, os planetas, as profissões e principalmente, as dúvidas mais estranhas que alguém pode ter a respeito de nossa existência na Terra. Ajeita o lápis na mão novamente e continua a escrita lenta e pesada. E em meio a tantas cobranças e questionamentos, ela mais uma vez nessa semana se sente presa em seu próprio quarto, não apenas por ele ser minúsculo, mas por se sentir presa também a um corpo que não lhe corresponde. Ela deixa o caderno e o lápis sobre a cama onde estava sentada e levanta-se, abre a janela em busca de ajuda, para que um pouco de ar possa inundar aquele aperto dentro do quarto e dentro do peito. 

domingo, 4 de outubro de 2015

Transformação

Michelle Potapovas Conte

Nunca sou a mesma
Sei que ao findar estas linhas,
Terei mudado.

Ora sou vaga,
Vivo vagando, viajando, sonhando
Como um pássaro breve e leve

Ora sou astuta,
Faço o que devo fazer,
Doa a quem doer

Os meus sentimentos mudam
Constantemente movem-se
Transformam-se
Apenas uma coisa é imutável
O meu amor.


Pressa

Michelle Potapovas Conte

Avisto a multidão marchando
Coração na boca, boca secando
Todos tão mecânicos...

Agora o ponteiro se anuncia
Suplicam pelo dia da alforria

Esquecem sua essência em algum lugar
Todos têm o mesmo sonho
Um dia deixar de vagar.

Imagem: Estação de Trem - Sebastião Salgado